“Não importa o que fazemos, estamos sempre deixando as pessoas decepcionadas” – Taylor York para a The Brag

O Paramore concedeu uma entrevista recente ao The Brag, de Sidney. A banda comenta sobre o novo álbum, sobre suas raízes pop punk e como teve que traçar seu próprio caminho no cenário musical. Lembrando que a Tour Four terá inicio em 8 de fevereiro e passará por quatro cidades australianas.

Lançado após um hiato de gravação de quatro anos, o novo álbum de Paramore, After Laugher, foi considerado pela Rolling Stone, entre outros, um dos melhores álbuns de 2017 – mas provou ser um lançamento polarizador para seu devoto público pop punk e emo. “Para ser sincero, nunca podemos ganhar”, diz o guitarrista Taylor York. “Como artista, você quer tocar novas músicas; coisas pelas quais você está inspirado. Tentamos mostrar às pessoas uma nova era; uma era em que atualmente estamos”.

Enquanto o Paramore sempre pareceu autoconfiante e orgulhoso de suas raízes do pop punk, a nova confiança da banda vem da tentativa de se afastar de uma certa imaturidade – embora eles saibam que serão criticados por isso. “Não importa o que fazemos, estamos sempre deixando as pessoas decepcionadas, e eles dirão coisas do tipo ‘Por que você não tocou isso?’. Nós tentamos não nos abalar com isso, mas sempre nos importamos”, explica York. “Nós passamos tanto tempo pensando: ‘Certo, como colocamos todas as músicas no set?’. Queremos que seja especial para os nossos fãs que nos apoiam há muito tempo, mas também eles nos ouviram tocar as músicas tantas vezes, então …”

A tonalidade da guitarra em faixas como ‘Hard Times’ consegue se manter fiel ao som original da banda sem parecer um pop chato; algo que é difícil de fazer sem parecer desagradável e que foi feito para vender. De fato, a banda está mais orgulhosa do After Laughter do que de qualquer outra coisa que eles já lançaram – mesmo que Williams admita que a gravação do álbum trouxe á tona sua própria bagagem emocional. “Foi difícil de escrever, embora tenha sido muito divertido. Nós fizemos coisas que não estávamos acostumados a fazer – coisas que realmente gostamos”.
Ao longo do álbum, com sua voz ousada e a instrumentalização exuberante que se desenrola ao redor dela, Williams traz a lembrança de Lesley Gore de 1963 cantando sobre o sofrimento adolescente em ‘It’s My Party’. Faixas como ‘Rose-Colored Boy’ explodem com a cor, a vida e acima de tudo, a rebelião – nessa música Williams canta: “Apenas me deixe chorar um pouco mais, não vou sorrir se eu não quiser”.

Zac Farro, o baterista original, passou os últimos cinco anos fazendo música com sua banda HalfNoise, mas com o After Laughter, ele está de volta. Enquanto ele estava ocupado, o tempo longe do grupo permitiu que ele desenvolvesse uma visão mais ampla e clara que trouxe algo mais verdadeiro às músicas. “Eu me sinto como um compositor, tirar esse tempo de turnê me fez aprender mais sobre minha paixão por escrever música”, explica Farro. Ele descreve seu retorno ao Paramore e o entrosamento na composição junto com Hayley e Taylor como “sem esforço”.

A banda sempre tentou fazer suas próprias coisas. Embora alguns membros da mídia tenham notado uma certa camaradagem sônica entre Paramore e os seus companheiros de gravadora – bandas como Fall Out Boy e Panic! At The Disco – eles sempre se sentiram um pouco de fora. “Foi meio estranho para nós, crescer e … tipo, nós nunca tocamos com o Panic”, diz Williams. “Eu acho que foi uma atmosfera realmente legal, especialmente para as bandas que apoiaram essa cena em que fazíamos parte … Porém nós nunca achamos que nos encaixávamos completamente e precisamos traçar o nosso próprio caminho, então tomamos medidas ao longo da última década para tentar reforçar a nossa individualidade como uma banda e encontrar a nossa própria voz em um mar de bandas jovens e que estavam se divertindo tocando músicas realmente punk. “Por último, eu diria que temos muita sorte de ter crescido tocando e fazendo turnês no momento em que fizemos; tipo, estar onde estamos e olhar os nossos vinte e tanto anos e relembrar tudo o que passamos é incrível. Agora que somos mais velhos, temos uma visão ainda mais clara de onde queremos ir. Nós podemos pegar as lições que tivemos e sermos mais confiantes em onde queremos ir.

Para muitos jovens seguidores do emo, Williams foi uma das poucas heroínas femininas em uma cena superlotada e dominada pelos homens. Felizmente, isso está começando a mudar, e Williams abraça o surgimento de novos pedidos de igualdade de gênero – embora ela não tenha a intenção de idolatrar algo. “Não acredito que nenhum ser humano seja digno de ser adorado porque todos nós temos exatamente a mesma capacidade de machucarmos uns aos outros, nos machucar, e geralmente fazer uma absoluta bagunça da vida que nos deram”, explica Williams. “E limitá-lo para a questão da masculinidade e do gênero é difícil. Claro, os meninos precisam começar a ver exemplos de vulnerabilidade e respeito pelo sexo oposto ainda muito jovens. Mas também não deve ter a ver apenas com gênero e sexualidade. Deve ter a ver com a humanidade e a coexistência. Estou cansada de ver pessoas falando de arrependimento e não de um lugar de inteligência real sobre o assunto. Tem que haver uma conversa educativa e compassiva para que possamos antecipar estes problemas antes de se transformarem em uma verdadeira dor.”