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“Cabelo é muito emocional para mim”

Confira a tradução de uma entrevista em que Hayley fala sobre seus sentimentos sobre seu cabelo:

“Em uma nova entrevista com Entertainment Weekly, foi questionado sobre o álbum ‘After Laughter’. Entre os tópicos da conversa estam os cabelos de Hayley Williams, que foi bastante impressionante para alguns fãs. Hayley falou o seguinte sobre o visual:

‘A “coisa” do cabelo é muito emocional para mim. Cerca de um ano atrás, eu liguei para meu cabeleireiro e foi como ‘Estou passando por muita coisa. Preciso de uma reinicialização. Eu preciso que vocé platine meu cabelo’. Isso trm sido muito importante para mim, estou com 27/28 anos, para me mostrar todas as manhãs que não sou alguem que vai viver no passado. Quando for hora da ‘Hayley neon’ voltar a vida, ela irá. Mas por agora, sou eu.”

 

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Por Hana Naromia
“Eu vivi em látex por aqueles dois anos (…)” Hayley fala sobre a era RIOT e era Self Titled para a Track7

Paramore em photoshoot promocional do RIOT!, 2007.

Dez anos atrás, quatro amigos de Nashville, Tennessee, lançaram um álbum que definiria uma era: Riot!, o segundo álbum de um até então tímido Paramore, dominava as rádios e capas de revista da época, carregando um estilo que até hoje é icônico e é crucial na construção da identidade de incontáveis adolescentes.

Por causa de seu recente aniversário, uma enorme quantia de dedicatórias foram feitas ao álbum que representou – e ainda representa- um impacto na cultura alternativa e a vida de quem o escutou, e com razão. Mas longe da festa, o maior impacto que o Riot! causou foi na vida de seus criadores.

Recém chegada de uma tour na Europa – a primeira no ciclo do álbum After Laughter – a vocalista da banda Hayley Williams reflete sobre a vida à caminho do seu álbum de maior sucesso.

“Nós éramos adolescentes quando o Riot! saiu. Na verdade, fomos adolescentes por um longo tempo depois disso” ela riu “Eu tenho uma memória muito distinta – na verdade em algum lugar tem um vídeo disso – de todos nós, Taylor também, se divertindo em um parque. Era primavera, 2007, e a gente estava literalmente jogando em um parque, juntos. O quão inocente era aquilo? De muitas formas, foi a última temporada descomplicada pra nós, como amigos.”

As crianças naquele parque não podiam prever a escala do sucesso – ou as complicações – que estavam por vir. Sair de esperançosos à superstars globais não é algo que qualquer banda pode realmente esperar pra se preparar pra ser, não importa o quão grande são suas ambições. De qualquer maneira, tinha um sentimento de que algo ia acontecer.

“Tinha uma animação ao redor disso que nós sabíamos que era diferente de qualquer coisa que a gente tivesse passado” Williams diz “Claro, a gente tinha lançado só um álbum até então… mas eu quero dizer que nós estávamos confiantes de que as pessoas – ou pelo menos as pessoas certas – entenderiam. Especialmente uma vez que toda a estética e a nossa idéia do álbum físico se tornasse tão coesiva, tão sem esforço. Foi um momento de gênio na lâmpada na hora certa.”

Logo depois, a primeira ficha caiu para a banda.

“Alguns meses antes de lançar o álbum” Williams continua “a gente estava indo para um show no The Underworld e estávamos todos olhando pela janela do carro, vi a palavra RIOT pintada com spray em um dos lados de um prédio, bem longe do lugar que a gente ia tocar. Eu sabia que era pra nós porque estava feita com a mesma letra, quase que igual ao que estava na capa do álbum. Naquele momento, eu falei em voz alta “As pessoas entenderam! Esse é o melhor símbolo que a gente podia ter…que as outras pessoas estão fazendo o seu próprio.”

Paramore no The Underworld, em Londres, maio de 2017.

Apenas uma noite antes daquele show, a banda estreiou o clipe de ‘Misery Business’, que seria o hino do pop punk daquele verão. Graças à esse vídeo, Hayley Williams se tornou um ícone de cabelo de fogo, um totem para a raiva adolescente e rebelião corajosa. Em apenas alguns meses, Williams foi de passear no parque com seus amigos à uma rock star. Agora, cercada por sua própria imagem e com os holofotes brilhando tão forte nela, até as coisas mais triviais se tornam obrigações comerciais.

“Era muito estranho. A gente pegou um patrocínio pra uma turnê com uma companhia telefônica que não nos deixava usar celulares que não fossem os deles. Tudo que eu queria fazer era sair por ai com um ar arrogante com o meu T-Mobile Sidekick III. Enfim, passamos dois meses fingindo usar esses celulares e a companhia faliu nem um ano depois.”

Fora do centro das atenções e longe das máquinas corporativas que vinham com o sucesso, de qualquer forma – “O sucesso daquele álbum meio que lançou uma sombra na pureza do que a gente fez quando começamos a banda” Williams admite – aquela banda ainda era a mesma, com as mesmas crianças, fazendo tudo que podiam para manter seus pés no chão.

Paramore (na época Jeremy Davis, Josh Farro, Hayley Williams e Zac Farro) no backstage do The Underworld, em Londres, maio de 2017.

“A primeira grande turnê que fizemos durante o ciclo do RIOT foi no outono de 2007. Um monte de teatros lindos onde abrimos shows mas nunca fomos a atração principal. Um monte de fãs novos que apareceram e nós queríamos mostrar que tinha mais na gente do que eles tinham visto na MTV. Tinha profundidade e raízes além dos posters com a gente usando cortes de cabelo do Myspace.”

“Fizemos um cover do Sunny Day Real Estate naquela tour, eles eram um dos nossos favoritos. Era uma música de uns 6 minutos e toda noite nós sabíamos que apenas algumas pessoas saberiam canta-la. Acabou que foi uma boa lembrança de que toda noite, mesmo que as coisas estivessem ficando loucas demais, tudo isso começou em um dia depois da escola na casa dos Farro ou no porão dos York…aprendendo a tocar músicas e interagindo por causa de bandas que amávamos.”

Hayley Williams é uma pessoa diferente hoje em dia. Em 2017, ela já esteve em todos os lugares e já viu de tudo. Williams está longe de ser o tipo de pessoa que diz saber tudo – na verdade, tanto no papel quanto em público ela deixa muito claro que não sabe – mas algumas sérias lições foram aprendidas e muitas realidades encaradas.

Uma das realidades mais duras foi a necessidade de credibilidade como artista. Não muito tempo atrás, Williams foi questionada por uma parte do público que colocava em cheque a validade de seu feminismo. Seus argumentos sendo os de que uma mulher que uma vez cantou “Uma vez prostituta, você não é mais nada/ Desculpe isso nunca vai mudar” como ela cantou em Misery Business, não pode nunca ser vista como um ícone do feminismo. Williams respondeu com um post onde ela destacou a importância do crescimento e declarou “Eu sou uma pessoa de 26 anos. E sim, feminista com orgulho. Só que talvez não uma feminista perfeita.”

“O que me irritou” Hayley diz “foi que eu já tinha feito tantas análises sobre mim mesma sobre isso, anos antes qualquer pessoa tivesse olhado e decidido que isso era um problema. Quando o artigo começou a circular, eu tive que pegar e expôr todas essas análises na frente de todo mundo. Mas era importante mostrar humildade naquele momento. Eu era uma adolescente de 17 anos quando escrevi aquela música em questão e se eu puder de alguma forma exemplificar o que significa crescer, conseguir informação, e me tornar alguém “mudado”, tá tudo okay por mim.”

 

Paramore no clipe de Misery Business.

No décimo aniversário do lançamento de Misery Business, Williams postou um tweet onde se refere à música como “bichinho de cabeça virada”, recomeçando a conversa sobre se responsabilizar por sua arte e a ideia de crescer longe de seu trabalho passado. Isso deu margem à especulações entre fãs e críticos sobre se isso era apenas uma consequência de ser uma liricista honesta ou simplesmente ser jovem demais pra saber as coisas. Quando perguntada diretamente sobre isso, Williams foi aberta.

“Eram ambas as coisas. A letra veio literalmente de uma página do meu diário. O que eu não sabia na época era que eu estava alimentando uma mentira que eu mesma tinha comprado, assim como outras várias adolescentes – e muitos adultos – antes de mim. Toda aquela coisa de ‘Eu não sou igual às outras garotas’…essa religião da ‘cool girl’. O que é isso? Quem é que define o que é cool? São homens? São mulheres que colocamos em um pedestal inalcançável?”

“O que tem de errado com a letra não é que eu tinha um problema com alguém da escola. Isso é apenas o ensino médio e amizades e términos. O problema é que tentei chamar a atenção dela usando palavras que não pertencem à essa conversa. É o fato de que a história foi montada dentro de um contexto de competição que não existe por causa de um romance.”

Quando o Paramore recentemente tocou Misery Business no Royal Albert Hall em Londres e chegou a hora de cantar a frase em questão, Williams optou por não canta-la. Foi um gesto pequeno, mas são indicações claras que seus sentimentos em relação à música hoje em dia são mais do que algo que ela vai dizer na hora certa em alguma entrevista ou nas redes sociais.

 

Paramore no Royal Albert Hall, Londres, 19.06.2017

É raro ver um artista fazer isso. Sem mirar nenhuma banda em particular, imagine o quão mudos os cantores de pop punk teriam que ser no palco se adotassem a mesma posição. Claramente tem um certo consenso entre bandas, fãs e a mídia de que artistas nem sempre serão os seus melhores em seu conteúdo lírico. Williams não teve que falar sobre o problema logo de cara, mas é claro que poder confrontar essas coisas é importante para seu crescimento pessoal.

“Eu gosto de saber que no final do dia eu fiz a coisa certa” Hayley diz “E quem sabe, talvez isso tudo é em vão? Meu caminho é o meu caminho – não tem mais de uma coisa igual. Por alguma razão, eu acredito que era pra eu escrever essas palavras distorcidas e que era pra eu aprender algo delas… anos depois. Me fez ter mais compaixão em relação à outras mulheres, que talvez tem ansiedades sociais… e em relação à garotas mais jovens que estão neste mesmo momento aprendendo a lidar e se relacionar e conectar. Estamos todas tentando o nosso máximo. É bem mais fácil quando temos apoio e comunidade uma na outra. Vulnerabilidade ajuda a pavimentar o caminho pra isso tudo.”

No novo álbum After Laughter, Williams é a versão mais franca e honesta de si mesma de todos os discos do Paramore. Parece mais uma compilação de páginas de um diário do que “Misery Business” parecia. É uma coleção de músicas sobre depressão, auto avaliação brutal, e todos os sangues e vísceras emocionais; mas o mais impactante de todos é ‘Idle Worship’, uma música de três minutos sobre toda a confusão e frustração que vem com ser colocada em um pedestal.

Sendo que RIOT! foi a catálise pra isso tudo, é natural sugerir que letras como “Não prenda sua respiração, eu nunca disse que te salvaria, querido” e “Se for okay, um pouquinho de gentileza seria apreciado” podem ter sido pensadas com aquela era em mente. Acontece que não. Esses sentimentos são mais universais do que aquilo.

“Eu não diria que a era RIOT! foi tanta inspiração praquela música quanto o Self Titled foi.” Williams revela “Eu estava realmente positiva naquele tempo. Eu era uma super-mulher que cegamente acreditava que todas as minhas melhores intenções eram boas o bastante pra me fazer passar por qualquer decepção em potencial que estivesse esperando por mim. Você não pode se preparar pra quando um piano vai cair do céu na sua cabeça. Ele apenas vai cair.”

“Quando eu finalmente tive um tempo pra mim, nós demos um tempo de quase três anos, não tive distrações” ela continuou “Não tinha capa de super herói no meu armário. Era eu e um espelho no banheiro. Não tinha quantidade de selfies que eu tirasse com fãs que iria me fazer sentir ser invencível, nunca mais. Deve ser difícil pra um fã do Paramore ouvir essa música…mas as pessoas precisam entender que deixei eu mesma pra baixo mais do que qualquer pessoa. Eu me preparei pra falhar! Pra começo de conversa, eu vivi em látex por aqueles dois anos e parecia um super herói. Quando a depressão me acertou, eu mal sai dos meus pijamas. Escrever ‘Idle Worship’ foi o começo de encontrar minha voz de novo.”

“Hoje em dia, usar roupas loucas e vintage é tanto um triunfo pra mim quando pintar meu cabelo de cinco cores diferentes. Me lembra daquela pessoa colorida que eu sempre fui, mesmo antes de qualquer pessoa prestar atenção. Não um super herói ou um bicho preguiça de pijama, apenas um ser humano estranho e brilhante.”

E ‘Caught in the Middle’? Aquela frase ‘Eu não posso pensar sobre quem eu era porque só me faz querer chorar’? Era o RIOT, certo? Mais ou menos.

“Sabe quando eu estava falando sobre passear no parque antes do RIOT ser lançado?” Williams pergunta “É uma mistura entre esse sentimento e o super herói que eu fingi ser durante o Self Titled. Eu tive que deixar essas versões minhas irem embora pra poder crescer e dar um passo pra frente como adulta. Nem é arrependimento, é mais uma sensação de sobriedade de que ‘todas as coisas devem passar’.”

Claramente, a perspectiva de Hayley hoje em dia é construída por bem mais do que apenas o álbum que lançou sua banda ao topo – não importa quantas perguntas sejam feitas para tentar descobrir respostas paralelas – mas uma parte do After Laughter que certamente pode ser analisada contra o que veio antes dele, é a música ‘Forgiveness’. Neste track, o próprio conceito de perdão é pintado em uma luz borrada, revelando-o ser uma besta intimidadora e complicada que realmente é. Um eco de ‘Desculpe querido, mas essa eu passo’ que Williams cantou em Misery Business.

“Uma das maiores lições da minha vida é aprender o que perdão realmente é” Williams diz “Eu tive muitas oportunidades de oferecer e aceitar. Mas pra realmente entender isso é outra coisa. Uma das melhores citações que li sobre isso – acho que foi um pastor que disse – foi ‘Quando você perdoa, significa que você absorve a perda e o débito. Todo perdão então, custa caro‘. Quando você pensa sobre isso, vai te deixar meio perdido por um tempo.”

Isso é onde Hayley está hoje; descobrindo o presente ao invés de duelar no passado. Ela certamente mencionou a era do pivô RIOT várias vezes ao longo dos anos, mas o álbum em si não é o “seja tudo isso e termine com tudo aquilo”.

“Eu acho que a razão que passei tanto tempo passeando ao redor dessas memórias é porque o pivô estava na verdade em nossas próprias vidas pessoas mais do que no Paramore como uma unidade. Pra mim, parece mais como a parte onde a vida ficou complicada. É o que eu imagino que seja quando alguém percebe que seus dias na escola acabaram e que agora é hora de lidar com mais coisas. Vida real.”

Mas e o RIOT, hoje? O décimo aniversário veio e foi, e enquanto a maioria das bandas usa um evento desses para fazer uma grande música ou dança, Paramore fez pouco barulho com isso. Não recebemos cinquenta versões diferentes em vinil, e a banda não está fazendo uma turnê para “relembrar”.

“Nós não estamos muito na vibe de olhar pra trás nesse momento” Williams disse “Teve um tempo depois que terminamos a turnê do Self Titled onde eu fiquei com bastante medo de que os meus melhores dias já tivessem passado. Sentiu um pouco como se fosse uma morte. Quando finalmente tínhamos demos que nos animaram, eu não estava mais tão sem esperança. Eu dou muito crédito ao Taylor por me dar a coragem que eu tive durante aquele tempo. Agora que estamos aqui, parece que estamos em uma banda nova. Sabemos como honrar e apreciar nossos velhos tempos mas essa não é a hora de ser brega e nostálgico sobre tudo.”

Hayley Williams tem uma coisa que ela pode trazer de olhar para trás: seu ponto de vantagem não é arrependimento, auto crítica, ou colher as glórias do passado. Ao invés disso, é uma conclusão profunda que fala mais sobre a vida do que qualquer outra coisa sobre um disco de platina.

“O que eu trago daquela temporada da vida” ela conclui “é que todos temos nosso verão de ouro – o que RIOT realmente foi – que nós podemos tentar e raspar os restos pra sempre… ou a gente pode apreciar o que aconteceu e seguir em frente. Temos que achar outros verões. Aqueles outros verões definitivos em nossos vidas que nos fazem sentir que estamos exatamente onde devemos estar. Se você está sempre olhando pra trás, olhando pra direção de onde você veio, como você pode aproveitar onde você está hoje? Você tem que se dar uma chance.”

 

Matéria publicado pela Track7 e traduzida por Mayara Souza.

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Por Mayara Souza
Brian O’Connor fala sobre os segredos de beleza de Hayley

Quer a música “Misery Business” do Paramore tocasse automaticamente no seu MySpace ou você escutou músicas da banda apenas uma ou duas vezes, você provavelmente sabe quem Hayley Williams é. E se você não sabe o nome da vocalista, você provavelmente sabe como ela se parece. As suas cores vibrantes de cabelo e sombras de olho do início dos anos 2000 deram entrada à todas as tendências de cabelo e maquiagem colorida nos feeds de instagram de hoje em dia.

Pra resumir: Eu sou a pessoa da segunda categoria. Paramore estava longe de ser a trilha sonora dos meus anos de adolescente – eu era mais uma garota que escutava Jonas Brothers quando o Paramore estourou em 2007. De qualquer forma, eu estava muito ciente sobre os looks de Williams. Eu admirava como o foco dela não era – e ainda não é – ser uma beleza convencional. De volta à quando cabelo assimétrico e audacioso era sua assinatura, ela inspirou os jovens ao meu redor a apostar mais em seu estilo e se sentir confidente ao não se encaixar no look comportado e tradicional.

Dez anos depois, Williams ainda é influência no senso de beleza. Ela começou sua própria linha de tintas de cabelo coloridas chamada Good Dye Young – Ironicamente, seu cabelo está agora em um lindo tom de loiro platinado. Agora, sua maquiagem repentinamente pegou o lugar principal do palco. O youtube está cheio de tutoriais que recriam suas maquiagens mais recentes de shows e video clipes. Para descobrir o que está por trás desses looks e como a maquiagem de Williams evoluiu ao passar da última década, eu liguei para seu braço direito, Brian O’Connor. Ele não apenas é o co-fundador da Good Dye Young como também faz seu cabelo e maquiagem pelos últimos dez anos.

“Eu faço o cabelo dela desde o RIOT, logo antes de Misery Business sair”  ele me fala do backstage enquanto Williams ensaia para a próxima parada do Paramore em sua turnê européia “De lá pra cá, qualquer corte de cabelo, cor e styling fui eu que fiz, basicamente. Por provavelmente cinco ou seis anos agora, eu faço a maquiagem dela. A esse ponto, tudo – cabelo e maquiagem – fui eu que fiz” Isso inclui photoshoots, coletivas de impresa e shows, deixando claro que O’Connor esteve muito, muito ocupado.

No passado, O’Connor apostou em linhas mais claras e duras com o que ele considera os “looks mais loucos”. “Dessa vez, é muito menos sobre o delineado ou coisas tipo isso” ele adiciona. Na verdade, através destes últimos dez anos, ele levou o look de Williams de ultimate emo girl para retrô atual.

“Pra essa etapa da turnê, nós tentamos ficar com um look inspirado em Blondie” O’Connor diz “Nós estivemos olhando para Debbie Harry e se sentindo bem inspirados à recriar os looks preparados-mas-não-muito dos anos 70. Eu tenho feito bem mais borrados e esfumados.”

A propósito, O’Connor fala bastante “nós”, porque tudo foi trabalho em equipe. “É definitivamente um relacionamento conjunto, mas Hayley é muito estilosa e meio que pensa fora da caixa sozinha, também” O’Connor diz “Isso faz com que seja muito mais fácil pra eu dar uma viajada. O que é bom é que somos tão próximos que ninguém fica machucado ou ofendido quando falamos ‘Hm, não gosto muito disso’. Muitas vezes ela me vetou em algumas coisas, e depois, eu ficava tipo ‘Sabe de uma coisa, ela estava certa.'”

Uma coisa que eles têm discordado ultimamente é usar cores vibrantes de batom no palco. A maior preocupação de Williams é borrar quando ela segura o microfone perto demais do rosto “Quando ela olhar para fotos dos shows, ela não precisa se preocupar com seu batom saindo durante o set” O’Connor adiciona “Ela não se preocupa com retoques, só faz o show.” Williams segue com batons de tons mais neutros porque não é tão notável quando começa a sair durante os shows.

Algo em que eles definitivamente concordam é usar produtos de beleza orgânicos e limpos sempre que possível. O’Connor diz que Hayley ama RMS Beauty, em particular. “Quanto mais limpo pudermos usar, melhor será” ele diz “Mas algumas vezes, essa escolha é um pouco difícil para o palco, porque você está sob uma certa luz e suando, então precisa de algo que vá ficar em sua pele por pelo menor uma hora e meia”. Neste caso, eles são fãs da Milk Makeup. A marca tem participado de grande parte dos looks mais populares de Williams deste ano. Pedi para O’Connor me introduzir quatro deles.

Hard Times

 

Quando o primeiro single do último álbum do Paramore, After Laughter, foi lançado, muitos dos meus amigos me mandaram prints. Por quê? Em algumas cenas, Williams tinha uma maquiagem estilo color-block incrível. Seu look amarelo-e-azul eventualmente me inspirou a vestir o trend por cinco dias seguidos, o que documentei para a Allure, claro. O’Connor me contou que pensou em fazer essa maquiagem ousada de última hora. Eles brincaram com algumas ideias diferentes alguns dias antes de gravarem, mas não conseguiram nada com conceito até que Williams sentasse na cadeira de maquiagem.

“Entre Hayley, Taylor e Zac, suas roupas eram monocromáticas” O’Connor explicou “Ela estava toda- eu digo vermelho, ela diz rosa. Nós discutimos sobre a cor daquela roupa o tempo inteiro. Zac estava de azul, e Taylor de amarelo. Eles estavam nessa vibe meio Memphis, especialmente por causa da arte do After Laughter,  então eu estava pensando em como fazer algo simples mas corajoso e com impacto. Olhando para as cores, decidi usá-las como a paleta dos looks.” De lá, ele escolheu criar formas ao redor de cada lado. No lado esquerdo, O’Connor desenhou um círculo amarelo com lápis amarelo primário da M.A.C e uma sombra que combinasse. “Sem querer, a cor de Zac era a amarela, e ele é o baterista” Brian comenta. Um retângulo azul pintado com o pigmento da Milk cobria o olho direito de Williams.

Para conseguir com que as formas parecessem perfeitamente geométricas, O’Connor contou com a ajuda de Hayley “Nós dois meio que fizemos juntos porque pras formas parecerem bem feitas e retas, você precisa dar um passo pra trás” ele explica “A gente chegava e fazia um pouco juntos pra ter certeza de que iria combinar com o rosto dela.”

Agora que o clipe já está no ar por três meses, O’Connor diz que vê pelo menos cinco ou seis fãs em cada show do Paramore que recriaram o look. “Isso tem sido muito legal porque geralmente quando coisas boas acontecem, elas meio que vêm organicamente” ele adiciona.

The Fader

Quando perguntei para O’Connor qual era o look dos sonhos que ele gostaria de fazer em Williams, ele responde que já o fez. Hayley foi a capa do The Fader do mês passado, e ela parecia surpreendentemente natural. “Foi muito limpo e simples. Todo mundo conhece a Hayley por ser colorida e brilhante – seja com suas roupas, cabelo ou maquiagem. Pra mim, foi muito divertido fazer um look simples, mudo, não-na-sua-cara. Eu amo as coisas loucas e grunges, mas eu gosto quando ela me deixa fazer coisas padrões de beleza porque é um pouco fora da zona de conforto dela. Pra mim, é divertido.”

 

Radio 1 BBC

 

Mês passado, Paramore deu uma passada na BBC Radio 1 em Londres para tocar. Desta vez, minha melhor amiga Brooke pediu que eu recriasse o look de Hayley Williams. Suas pálpebras estavam cobertas por um glitter lilás, a parte de baixo de sua sobrancelha estava pintada com pontinhos azuis e seus lábios pintados com um batom rosa chiclete metálico (é o Shephora Collection Cream Lip Stain cor 08 Wild Blush, pra ser exato). Eu estava amando.

O`Connor riu quando falei deste look porque este também foi pensando de última hora. Por causa do horário cedo que eles precisavam estar na rádio e o fato de que eles ficaram acordados até tarde por causa de um show, O’Connor tinha apenas uma hora para montar a maquiagem. “Era um daqueles looks de manhã cedo, meio que dormindo” ele disse “Eu fiquei pensando ‘como vou manter isso limpo, fresco mas ainda do estilo dela?” Ele então se inspirou na forma como a própria Hayley faz sua maquiagem “Ela geralmente faz um pontinho em cada arco da sobrancelha dela ou talvez no final, depois faz três linhas imperfeitas embaixo dos olhos.”

Para a Radio 1, O`Connor pulou as linhas estilo Twiggy line e cobriu as pálpebras de Williams novamente em pigmento da Milk – desta vez um tom brilhante chamado Peep Show. Depois, ele finalizou com finalizador da M.A.C extra dimensão na cor Soft Frost, um branco perolado que vai para o violeta. “Eu queria que o brilho não fosse tão óbvio, mas que quando a luz o atingisse, aquela luz iluminada mostrasse um leque de cores diferentes.” Ele explica.

 

Told You So

Pela maioria do clipe, Williams usa um óculos escuro amarelo e preto, então O`Connor queria fazer um daqueles looks “espiados, abstratos”. Ele também manteve o tema monocromático com batom vermelho maçã. “Normalmente ela é uma garota mais pro batom mate, mas a convenci a usar gloss” ele diz “Foi divertido porque tinha um ventilador no cenário que soprava o cabelo de Hayley pros lábios dela e eles ficavam grudados lá.  Ela olhava pra mim e eu ria” Ter esse tipo de parceria onde vocês dois podem se divertir por uma década? Isso sim é uma equipe dos sonhos.

 

Matéria publicada no site Allure, tradução feita por Mayara Souza.

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Por Mayara Souza
Hayley ao The Fader: “Eu não me sinto tão esperançosa quanto eu me sentia quando era adolescente”

Além de trazer Hayley Williams na capa, a edição de julho/agosto da revista The Fader conta com uma entrevista intimista com a vocalista e um photoshoot incrível da banda. Confira na tradução:

 

Emoções adultas

Hayley Williams, do Paramore, tem sido um ícone da angústia de uma geração inteira. Agora, aos 28 anos, ela está descobrindo que tem suas próprias inquietações para lidar.

 Quando eu conheço Hayley Williams pela primeira vez, ela me atinge com um abraço e o maior sorriso que você poderia esperar. Nós estamos em um lugar de lámen na sua cidade natal, Nashville, tagarelando sobre os aperitivos de milho fritos que estão entre nós, bebericando chá, com a Hayley apoiando seus dois pés, cobertos por Vans de glitter, na cadeira ao lado dela.

Ela trata quase todo mundo com essa familiaridade fácil, pelo que parece. Mais tarde naquele dia, a gente cruza a cidade no carro dela, um Fiat azul cheio de garrafas de água pela metade, parando em lugares que ela ama. Um cara com piercing no nariz e cabelos bagunçados, em um bar de sucos, recebe o mais caloroso olá; um homem com longos dreads, que trabalha na boutique de uma amiga dela, recebe uma saudação radiante e um aperto de mãos forte. Passe por qualquer porta com ela, e você não poderá ter certeza se a Hayley conhece a pessoa que trabalha lá dentro durante toda a sua vida ou se ela está os conhecendo pela primeira vez.

Esse senso de intimidade imediata tem a servido bem. Hayley assinou com a Atlantic Records como vocalista e compositora do Paramore quando ela tinha 15 anos. Com o cabelo carmesim tingido de uma super-heroína de histórias em quadrinhos e uma voz forte que ela usava mais para gritar do que para cantar, ela se tornou uma estrela do rock adolescente e um ícone para crianças emo e punk ao redor do mundo. Em faixas nervosas como “Emergency” e “Misery Business”, ela provou ser uma compositora sensível e poética, escrevendo canções sobre crescimento, primeiro amor e primeiro coração partido, sempre com um senso de força e excitação. E isso foi ainda mais poderoso porque os semelhantes à banda – grupos como My Chemical Romance e Fall Out Boy – eram liderados, quase exclusivamente, por homens agoniados.  Paramore vendeu milhões de álbuns, se apresentou no TLR, e até mesmo gravou o single principal para o primeiro filme de “Crepúsculo”, o essencial melodrama de ensino médio da era Obama.

Conforme Hayley e eu discutimos a essência do novo álbum da banda, After Laughter, no almoço, ela descansa seu queixo na palma da própria mão. Ela tem 28 anos de idade agora, e o estilo de cabelo que costumava ser sua assinatura deu lugar para um loiro levemente sintético que cai livremente como uma cascata sobre seus braços. “Cara, eu não sei”, ela fala, sobre os tópicos mais obscuros do álbum. “Eu não me sinto tão esperançosa quanto eu me sentia quando era adolescente”.

Na primeira vez em que se escuta, o álbum pode parecer até alegre, mas está claro que a Hayley ainda está passando por alguns problemas profundos nas letras. “Reality will break your heart/ Survival will not be the hardest part” [“Realidade quebrará seu coração/ Sobrevivência não será a parte mais difícil”], ela canta em “26”, sua voz carregada com tristeza. “If I lay on the floor/ Maybe I’ll wake up” [“Se eu deitar no chão/ Talvez eu acorde”], ela clama na surpreendentemente corajosa “Forgiveness”, uma canção que ela escreveu sobre alguns momentos difíceis com seu marido Chad Gilbert, o guitarrista da banda pop punk New Found Glory. Em “Fake Happy” ela canta sobre como ela sorri apenas para fazer as outras pessoas pensarem que ela está bem, e que supõe que todo mundo é secretamente insincero.

Essa melancolia é diferente dos problemas de sua adolescência – é mais reflexiva, adulta, debilitante. Ela diz que vem lutando com a depressão nestes últimos anos, pontuados por momentos em que ela ficou na cama o dia todo assistindo velhos episódios de “The Office”. Ela diz que isso ficou tão ruim, em certos momentos, que ela se fixou na morte por tempo demais para seu próprio conforto e encontrou um terapeuta: “Pela primeira vez na minha vida, não havia luz no fim do túnel. Eu pensei ‘eu só queria que tudo parasse’. Não era no sentido de ‘eu vou tirar a minha vida’. Era apenas desesperança. Tipo, ‘qual é ponto?’. Eu não acho que eu entedia o quão perigosa a desesperança é. Tudo dói”.

Hayley até saiu secretamente da banda por um curto período no verão de 2015, se sentindo exausta e pensando que ela não tinha mais nada para falar ou cantar. “Tinha acabado para mim”, ela fala. “Eu pensei ‘tem que haver alguma outra coisa na qual eu sou boa em minha vida. Talvez esteja na hora de eu achar isso’”. Mas depois que ela saiu, Taylor York – seu principal parceiro de composição e, com Justin Meldal-Johnsen, o co-produtor de After Laughter – começou a mandar faixas inacabadas para ela, apenas para ver o que aconteceria. Ele tem uma história com depressão, também.

“Nós dois tínhamos dúvidas e tínhamos união nisso”, Taylor fala. “Eu disse a ela que ela não tinha que fazer as coisas. Mas eu apenas continuei escrevendo e então teve um momento em que ela conseguiu de novo”. Hayley começou a acompanhar os instrumentais de Taylor e acabou escrevendo uma melodia e letras para “Forgiveness”, a primeira música do que se tornaria o After Laughter. Eles continuaram criando dessa maneira, com Taylor enviando para ela ideias básicas e Hayley se soltando sobre elas. E as músicas continuaram vindo.

Em Nashville, Hayley e eu desembarcamos em um bar de sucos e, entre smoothies, eu conto para ela o quanto estou impressionado com sua sociabilidade fácil, considerando que ela está processando algumas coisas bem difíceis, até mesmo a morte, no After Laughter. Ela ri um pouco nervosa e, pela primeira vez no nosso dia, o brilho dela diminui um pouco, também. Para ela, ser amigável parece óbvio, ela me conta, e estranho que eu tenha apontado sua educação.  Se o céu caísse, ela diz, gentileza é como ela gostaria de ser lembrada. “Cara, eu apenas fui ensinada a ser legal. Um dia, eu terei partido, e eu preciso aceitar que o amanhã não é prometido. Eu estou bem com o modo como estou vivendo hoje? É a única coisa que eu posso controlar. Se eu não tivesse outro, o que eu fiz com todos os meus hojes? Estou fazendo um bom trabalho?”. Ela olha diretamente para mim. “Como você quer partir?”.

Antes de Hayley Williams se tornar uma líder no pop punk, ela era mais uma Motown buff. Nascida em Mississippi, ela era tímida, mas começou a cantar em um coral infantil da igreja. Depois que os pais dela se separaram, o segundo casamento da mãe dela se tornou volátil. “Eu voltei para casa um dia depois da escola e minhas malas estavam feitas”, ela conta. “Nós não tínhamos para onde ir, então moramos com uma amiga dela em um trailer duplo bem próximo ao estacionamento da escola”. Eventualmente, quando outra amiga da mãe dela se mudou para Franklin, Tennessee, perto de Nashville, mãe e filha seguiram. Elas pensaram que se música era do que a Hayley queria fazer parte, Nashville não era um lugar ruim para se estar por perto.

Aos 13, Hayley estava escrevendo poesia e se apresentando com uma banda funk de cover local por dinheiro. Na escola, implicavam com ela por seu profundo sotaque sulista e ela sofria para achar relações duradouras. “Eu sofri tanto bullying quando me mudei para cá que eu comecei a praticar como falar a palavra ‘awesome’ sem um sotaque”, ela diz. Preocupada com o modo como ela era tratada em aula, a mãe dela descobriu, em uma igreja que se encontrava semanalmente, um tutor que dava aulas em casa, e tirou a Hayley da escola pública. “Ela disse ‘eu posso confiar em você para ficar sozinha em casa quatro dias por semana?’ e eu disse ‘sim. E escreverei músicas o dia todo’”. Por ela ser tão solitária, a mãe dela encorajou-a cada vez mais a se juntar a uma banda por período integral, para que ela pudesse fazer amigos. Hayley concordou, parcialmente por causa do quanto ela amava Hanson: “Três irmãos que tocam músicas juntos? Qual é. Eu fiquei tipo ‘eu quero isso’”.

No programa de aulas em casa, ela conheceu os irmãos Zac e Josh Farro, que, apesar de terem somente 11 e 14 anos, respectivamente, já tinham gravado algumas músicas. Ela estava entusiasmada e eles a receberam de imediato. “Crescer ouvindo pop e música R&B, e então ser jogada no mundo, onde eu estou ouvindo Elliott Smith e Radiohead e Deftones, eu fiquei tipo ‘o que eu faço com isso? Eu nunca tentei escrever músicas assim’”, ela lembra. “[Mas] Zac começou a tocar uma batida de bateria, e de repente isso se tornou uma música chamada ‘Conspiracy’, que está no nosso primeiro álbum. Eu, literalmente, apenas sentei com o microfone e tranquilamente cantei as palavras que eu havia escrito”.

A banda, que incluía dois irmãos, foi formada e começou a se apresentar em lugares como os eventos para o grupo jovem da igreja, mas a Hayley também estava escrevendo e gravando suas próprias demos, mandando-as para gravadoras. Avril Lavigne tinha recentemente estourado, estimulando o apetite da indústria por alternativas punks de Britney e Christina. “Não acho que eu teria sido assinada se Avril não tivesse acontecido”, ela fala. “De repente, eu estava em Nova Iorque tocando para LA Reid”. Um número de gravadoras queria ela, mas apenas a Atlantic disse que ela poderia continuar com a banda ao invés de ir solo. Havia uma pegadinha: eles ofereceriam um contrato separado para a Hayley por meio da Atlantic, mas os outros membros da banda iriam apenas obter um acordo com uma subsidiária de rock deles, a Fueled By Ramen.

Paramore lançou o álbum de estreia, All We Know Is Falling, quando ela tinha 16. Eles foram convidados para a Warped Tour, primeiro em um palco lateral, e então, na terceira vez que estavam na conta, como um evento principal. Warped Tour, na época, era uma mistura de emo, pop punk e bandas post-hardcore – qualquer coisa que pudesse ser classifica como alternativa – e Paramore, com suas músicas sensíveis mas afiadas, estava em algum no lugar no turvo meio. Em vídeos de performances antigas, Hayley se destaca por seu fervor e músculo. Ela pula ao redor do palco, faz headbang com seu cabelo vermelho e traz fãs ao palco para cantarem com ela.

“Era meu ensino médio”, ela fala sobre a Warped Tour. “Nós aprendemos a nos conectarmos com pessoas de um palco”. Ela era uma das poucas mulheres no faturamento primário. “Na metade [do festival], tinha garotas aparecendo com o cabelo igual ao meu”, ela fala. Ela desenvolveu uma presença formidável: em 2007, em um show na Alemanha, onde eles estavam dividindo o palco com a mais brutal Korn, Hayley jogou uma garrafa – achando que alguém da audiência havia jogado na banda como forma de desprezo – no público. Ela acabou percebendo, depois, que era apenas uma garrafa deixada ali, mas ela mostrou sua ousadia mesmo assim.

Em turnê, seu pai dirigiria eles de cidade a cidade em uma pequena van. “Nós comíamos PB&Js todo dia”, ela relembra carinhosamente. Ela finalmente conheceu seu agora-marido nos bastidores quando tinha 18 anos; eles começaram como amigos antes que isso se tornasse uma relação amorosa. Naquela época, ela estava namorando Josh, também seu parceiro nas composições. “Nós éramos crianças! Mesmo quando a gente namorava, não parecia que namorávamos. Era tipo ‘oh, legal, nós nos beijamos algumas vezes’”, ela diz. Todos na banda tinham sido criados como cristões e, embora todos eles tenham adotado uma pegada mais leve na espiritualidade, naquele tempo eles preservavam uma atitude saudável mesmo quando cercados pelo caos do circuito do festival. “Nós crescemos no cinturão da Bíblia”, fala Zac. “Há várias regras que foram definidas pela igreja. Não beba, não faça sexo, não use drogas, não xingue”.

Além da Hayley, sete membros circularam dentro e fora do Paramore desde 2005, alguns de maneira bem amargurada. Pode ser um pouco difícil de acompanhar e a mídia se extasia com o drama, com os rumores circulando sobre o porquê de os membros terem saído: ambições solo da Hayley, disputas por créditos nas composições, e apenas pura briga. Agora eles são um trio: Taylor, que está na banda desde 2007, é o guitarrista; e Zac, o baterista, depois de ter saído da banda como seu irmão Josh, em 2010, voltou à banda sozinho em algum momento do ano passado.

A última pessoa a sair foi Jeremy Davis, o baixista fundador, em 2015. Ações judiciais foram abertas de ambos os lados e resolvidas na primavera, sob termos não revelados. “Tell Me How”, uma doce balada de piano que encerra o After Laughter, é uma sombria reflexão sobre a partida dele: “I can’t call you a stranger/ But I can’t call you” [“Eu não posso chamá-lo de estranho/ Mas eu não posso chamá-lo”], ela canta. “Do I suffocate or let go?” [“Eu sufoco ou deixo ir?”]. Hoje, ela está cansada de falar sobre o espetáculo das mudanças na formação, alguns dos quais remetem à estrutura desigual do contrato da banda com a gravadora, e ela fala principalmente em generalidades quando o assunto surge. “Eu tive muitas traições em minha vida. Eu nem quero pintar a mim mesma como a vítima, mas acho que me assusta contar toda a história”, ela fala. “Eu realmente não quero apagar mais ninguém da minha vida. Eu fiz isso o suficiente”.

Conforme o sucesso da banda crescia, o poder estrelar de Hayley se mostrava mais brilhante. Ela fez parte da faixa de sucesso de 2010, “Airplanes”, do rapper B.O.B., que atingiu o segundo lugar no Top 40 das paradas musicais. Em 2011, ela apareceu na capa da Cosmopolitan, toda produzida como uma celebridade de Hollywood. “Eu tenho certeza que eles aumentaram os meus peitos”, ela relembra rindo. Uma vez, ela fala, em uma tentativa equivocada de empurrá-la na direção do rádio, Lyor Cohen, o legendário executivo que trabalhava na Atlantic na época, ligou no telefone dela para contar que ela precisava compor com o Chad Kroeger do Nickelback. Hayley educada, mas vigorosamente, recusou. “Apenas não é o que eu quero”, ela fala sobre a possibilidade de um estrelato mainstream solo. “Eu não sei se eu seria capaz de encarar milhares de pessoas se eu não pudesse olhar para minha esquerda e minha direita e atrás de mim e perceber que eu estou cercada por pessoas que sabem exatamente quem eu sou”.

Uma vantagem agridoce de todas as idas e vindas no Paramore tem sido que, conforme a formação evoluiu, o som evoluiu também. Essa é uma das razões pelas quais, 12 anos depois de o primeiro álbum deles ter sido lançado, o grupo está ainda por aí e, mais importante, ainda está relevante. Hayley é obcecada por Talking Heads e isso pode ser notado nos ritmos brincalhões e excêntricos do After Laughter. É uma grande distância dos riffs agressivos de guitarra do início de Paramore, em grande parte porque Taylor substituiu Josh como o parceiro de Hayley nas composições, e ele compartilha o amor dela por new wave e R&B, estilos de música que eles agora são livres para explorar juntos.

“Quando eu comecei a escrever”, Taylor fala, “eu trazia para a Hayley todas essas músicas com grandes, massivos riffs de guitarra – mais do mesmo. Cada ideia que eu tocava para ela, ela dizia ‘isso é bacana, mas você tem alguma outra coisa?’. A única coisa que eu tinha para mostrar para Hayley era ‘Ain’t It Fun’ – eu trouxe pequenos alto-falantes e montei eles sobre garrafas de água, apenas para que eles ficassem altos o suficiente. Era uma batida de bateria e marimba. Eu pensei que, de maneira nenhuma, aquilo era Paramore, mas os olhos dela se iluminaram. E aquilo foi um ponto transformador”.

“Ain’t It Fun”, uma canção sobre como é difícil a transição da adolescência para a vida adulta, serviu como ponto-chave para o álbum autointitulado de 2013 e se tornou um dos maiores sucessos deles até então. Como todos os álbuns anteriores, ele ganhou disco de platina, mas também recebeu a brilhante aclamação da crítica, algo que, apesar da popularidade da banda, muitas vezes escapou deles. A música tem um refrão triunfante – não diferente dos grandes sucessos do super-produtor Max Martin – e Hayley e Taylor não precisavam de uma máquina para elaborar isso por eles. Nem todo mundo entendeu imediatamente a reinvenção do Paramore, no entanto. Qualquer coisa que se assemelhasse a rock tinha sido tirada de rádios populares na era de estrelas caricatas como Katy Perry e Nicki Minaj. Antes de a gravadora tentar vender “Ain’t It Fun”, eles levaram uma música similar, a punk chiclete “Still Into You”, para testar as águas. Na Z100, uma das maiores rádios pop do interior, um programador disse a eles que ele simplesmente não podia colocar no ar guitarras.

Meses mais tarde, “Still Into You” e eventualmente “Ain’t It Fun” ganharam tanta força no próprio poder inegável da pegada “grudenta” delas que as duas alcançaram o Top 40. Voilà, havia guitarras na rádio pop novamente. Em 2015, “Ain’t It Fun” deu ao Paramore seu primeiríssimo Grammy, fazendo Hayley a primeira mulher a ganhar na categoria “Melhor Música de Rock” desde Alanis Morrissette, 16 anos antes. O som refinado e suavizado do Paramore também acabou se mostrando bastante presciente: Taylor Swift, amiga de Hayley, realizou um truque de mágica semelhante (embora em uma escala ainda maior) em 2014, quando ela deixou para trás o sutil ritmo country do seu passado para dar lugar a um brilho ainda menos afetuoso. Com a ajuda de Max Martin, Taylor colocou ênfase no tipo de poderosos refrões reforçados ao qual Hayley havia acabado de provar ser adepta à criar. Hayley até fez uma aparição do clipe de “Bad Blood”, uma rebelde música de luta que é o mais perto do espírito turbulento de Hayley que o espírito sadio de Taylor poderia chegar.

Hoje, Paramore está talvez em sua posição mais forte de todas, não somente porque eles sobreviveram à era pop punk e transcenderam à banda plenamente adulta, mas porque todo o mundo parece ter chegado à atitude febril que o Paramore iniciou. Todos, de artistas countries a rappers, estão borrifando um pouco de pop punk – o artista country de 22 anos Tucker Beathard recentemente contou à Pitchfork que não foi Brad Paisley quem o inspirou a se tornar um artista, foi ver o Paramore em seu aniversário de 14 anos. O rapper revelação e colega entusiasta de cabelos cor-de-rosa Lil Uzi recentemente gravou um vídeo de si mesmo cantando e sorrindo ao som de “Ain’t It Fun”, depois criou um dos maiores hits do ano da fusão de rock e hip-hop, “XO TOUR Llif3”. “Paramore expandiu meu gosto pela música”, diz Uzi. “Eles eram as crianças descoladas do quarteirão enquanto cresciam. Eles são incríveis pra caralho e é por isso que eu ainda curto eles”. A angústia está de volta.

E agora há o After Laughter, um novo álbum do Paramore quando a ideia do Paramore nunca fez tanto sentido. É o álbum excelente mais consistente de toda a discografia da banda. As letras são sentidas profundamente, como sempre foram, e a instrumentação mais leve combina com a força de Hayley como uma cantora – ela nunca soou tão clara e confortável, mesmo quando está cantando sobre dor. Então, como foi a sensação de lançá-lo? No dia que o álbum saiu, Hayley estava dominada pela tristeza. Não era tão ruim quanto havia sido nos dias sombrios em que ela não conseguia sair da cama e não queria escrever música, e ao fim da noite, ela estava se sentindo bem de novo – ela e os garotos colocaram o álbum para tocar e cantaram juntos. Mas mais cedo, particularmente em um meet and greet com cerca de 300 fãs, ela estava tendo dificuldades. “Era um dia muito pesado porque nós estávamos deixando ir essa coisa que achávamos que nos mantinha vivos”, ela disse. “E eu realmente acho que isso me manteve viva”.

Depois do almoço, Hayley vai para casa por um momento, e nós estamos combinados de nos encontrarmos com o resto da banda na casa do Zac, em um adorável trecho suburbano no Sul de Nashville, para uma noite de tacos e boliche. Mas há um grande desvio antes de eu chegar. Eu estou dirigindo com a publicista do Paramore, que me ofereceu uma carona, e antes de desembarcamos na casa de Zac ela deixa claro que a Hayley não está feliz com a linha de alguns dos meus questionamentos durante a entrevista naquela tarde. Quando eu pergunto quais questionamentos incomodaram Hayley, eu recebo poucas especificações.

Quando eu chego para passar um tempo com a Hayley e os garotos, eu sinto a frieza rapidamente. Hayley é educada, mas quieta. Ela mantém seus óculos de sol, está inquieta e mal fazemos contato visual. Uma vez que nos sentamos, eu tenho uma distinta sensação desconfortável de estar de volta ao refeitório do ensino médio, preso em uma mesa com um amigo que está brabo comigo, mas não está afim, ou não consegue, me explicar o motivo. Mexendo em meu celular, eu vejo no Twitter que, não muito tempo depois de termos nos separado, ela publicou algo mordaz: “apenas aproveite a droga da música”.

Um pouco desorientado, eu peço à publicista se eu e Hayley podemos conversar sobre o que foi que deu errado, e eu vou até a frente da casa do Zac para coletar meus pensamento e esperar por uma resposta. Hayley aparece com uma expressão notavelmente mais ensolarada de boa energia, e nós nos sentamos na varanda enquanto o céu se torna um cinza brilhoso, e então, mais tarde, um preto profundo.

Ela me conta que depois que nos falamos, ela teve um ataque de pânico em seu carro. Ela se desculpa profundamente por como o encontro se desenrolou e conta que o gatilho para ela foi quando eu perguntei sobre as consequências do processo com seu antigo companheiro de banda. Ela diz que razões legais fazem com que seja difícil ela saber o que pode ou não pode falar, e que a incomoda e a estressa o fato de que todas as reportagens recentes sobre a banda têm focado no drama e não nas músicas. É justo. Eu continuo cavando, no entanto, e eventualmente ela admite que foi mais do que isso, mas que está com dificuldade para explicar ou descobrir por si mesma o que é.

Eu ofereço que ela descanse sobre o assunto, falando que agora eu estava mais propenso a escrever sobre esse estranho episódio, e que seria bom se ela pudesse providenciar uma explicação mais completa na sua própria perspectiva. Essa ideia, para minha surpresa, parece imediatamente pescar o interesse dela. Ela rapidamente concorda e nos abraçamos, e então vamos para o boliche em um pequeno lugar neon que não parece ter sido redecorado desde os anos 80.

Zac compra um jarro de cerveja e Hayley é gentil comigo, me encorajando até quando eu erro todos os pinos. Alguém, reconhecendo a banda, coloca uma série de músicas do Paramore para tocar nos alto-falantes, e Hayley pula para cima e para baixo, pega uma bola cor-de-rosa que combina com seus óculos – ainda no rosto dela, apesar de ser 21:30 – e manda a bola voando direto para a valeta, onde fica estranhamente presa. Eu jogo uma bola roxa logo atrás para tentar desprender a dela, mas aquilo apenas aumenta o problema: enquanto a bola cor-de-rosa de Hayley consegue se soltar, a minha fica presa. Depois que fico em último lugar em nosso primeiro jogo, ela me parabeniza como se eu tivesse ganhado, e eu não estou certo se isso faz com que eu me sinta o garoto mais popular da aula de ginástica, ou o idiota desamparado que foi empurrado para uma poça e precisa de ajuda para se sentir mais animado.

Na noite seguinte, Hayley me busca em seu Fiat e dirigimos para um hotel boutique, com um bar espaçoso em uma parte de Nashville que está na moda. Eu percebo que o smoothie pela metade que eu comprei para ela no dia anterior continua no carro dela, agora marrom e fétido. “Vê o quanto eu sou nojenta?”, ela fala. No bar, eu conto para ela como fiquei chocado em saber que uma conversa, que eu tinha pensado ser bacana, pode ter desencadeado tal reação. “Eu comecei a pensar sobre todas as coisas que conversamos”, ela fala, “e sobre como eu estou passando por diversas daquelas coisas. Tipo, eu não superei esse álbum. E eu estou mais velha, também. Se eu fosse pegar minha bicicleta BMX agora, sabendo de todas as maneiras que posso me machucar, é diferente de ser a garota de dez anos de idade que eu costumava ser, montando e andando tão rápido e loucamente quanto todos os garotos da minha vizinhança”.

Ela fala que, ao passar dos anos, se tornou cautelosa em falar demais sobre si mesma ou sobre a banda, porque, em alguns círculos, as brigas e a perda de amizades pelas quais ela passou se tornam assunto para fofoca e manchete de notícias. Eu pergunto se o que ela escreveu em seu Twitter – sobre apenas aproveitar a droga da música – tinha sido pela frustração com a entrevista, e ela diz que não, que na verdade foi uma resposta para os fãs que não cansavam de mandar para ela imagens de gráficos sobre as vendas do álbum na primeira semana. Ela diz que está tão cansada do aspecto comercial da indústria musical que, antes de o After Laughter ser lançado, ela tentou renegociar o contrato com a Atlantic – que a contratou quando era adolescente – para que ela tivesse que entregar menos álbuns. “Eu não queria mais [o contrato] pairando sob a minha cabeça, e eu quero terminar com o lado comercial disso”, ela fala. A Atlantic não concordou em mudar o contrato.

Na visão da Hayley, tudo que ela queria eram amigos com quem fazer música. “Eu era apenas uma criança, e eu queria muito fazer parte de algo. Quando eu fui contratada sozinha, eu me senti muito sozinha”, ela fala. “Se meu pai estivesse sentado ao meu lado agora, ele lhe contaria sobre todas as páginas no meu diário em que eu desenhei a mim mesma e outros quatro amigos sem rosto em diferentes instrumentos. É por isso que quando eu vejo um jovem em um show e ele parece estar chorando seus miolos por estar em um lugar com milhares de pessoas que o compreendem, eu choro no palco. E eu escondo isso porque é constrangedor. Mas eu sei o que é sentir que você só quer encontrar o seu lugar. E esse é o meu lugar. Esse é o meu lugar”.

E aí, então, nós atingimos algo como um impasse. Ela diz que depois de uma década estando no olhar público, é melhor que algumas coisas não sejam ditas. “O que eu devo às pessoas?”, ela pergunta algumas vezes. E ela é inflexível que, apesar de todas as suas lutas, ela quer que o mundo saiba que há muita alegria em estar nessa banda nesse momento. “Não há nada que eu realmente queira dizer sobre o álbum que eu não tenha dito”, ela fala. “E é por isso que eu sou grata pela música. Porque eu posso expressar partes de mim que eu não sei bem como expressar”. Nós nos falamos por mais algum tempo, mas a conversa termina sem resolução. Ela fala que provavelmente não dará entrevistas por um tempo, pelo menos não sem seus parceiros de banda.

Hayley me oferece uma carona de volta para o meu hotel, e no caminho ela toca uma demo de “Forgiveness”, a faixa de After Laughter que eu tinha dito ser a minha favorita. Nós dois começamos a harmonizar juntos. É uma música sobre o quão difícil o perdão pode ser, mas naquele momento era apenas meio divertido. Às vezes você não é tão diferente da pessoa que era quando tinha 15 anos, passivo-agressivo e um pouco sensível demais às vezes, mas verdadeiro o suficiente para curtir músicas no carro. Ela diz que eu tenho uma boa entonação, mas eu não consigo definir se ela está apenas sendo legal ou se realmente acha isso.

Fonte: Notícia originalmente publicada por The Fader e traduzida por Claudia Dalmuth

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Por Claudia Dalmuth
Em entrevista à VICE, Hayley fala sobre as pressões do meio artístico

Hayley Williams: “tudo vai ser tudo”

A líder do Paramore, de fala sincera e cabelo frequentemente rosa, cresceu com seus fãs – mas o novo álbum, “After Laughter,” fala em um novo nível sobre as pressões e os prazeres de crescer com o rock.

 

Hayley Williams está saltitando ao redor do palco do Royal Albert Hall, em Londres, com um sutiã de uma fã na cabeça. O público, que há tempos abandonou os assentos marcados e agora se esmaga junto na frente do palco, grita com alegria enquanto o riff ousado de xilofone da abertura de “Hard Times” soa. O lugar está estremecendo com tanta alegria que as letras da música parecem quase que comicamente fora de lugar. “All that I want is to wake up fine” [“Tudo que eu quero é acordar bem”], Williams canta, pisando com força a cada palavra conforme o sutiã voa da sua cabeça, “Tell me that I’m alright, that I ain’t gonna die” [“Diga-me que estou bem, que não vou morrer”]. Para uma música sobre viver embaixo da nuvem negra da depressão, ela tem uma enorme batida.

Essa contradição tonal corre pelo coração do quinto álbum do Paramore, After Laughter. As sinceras reflexões do álbum, sobre autosabotagem, depressão e o resultado de relacionamentos quebrados são envoltos em um alegre pop sintético inspirado nos anos 80. Apesar de, inicialmente, ela ter se preocupado com o fato de que a coisa toda poderia parecer discordante – especialmente porque o Paramore construiu seus dez anos anteriores como uma banda de punk-rock, fervendo com uma raiva adolescente –, a abordagem provou-se catártica para Williams. Seu lema, inspirado por seus heróis de infância The Cure e Talking Heads, é “cry hard, dance harder” [“chore muito, dance muito mais”].

Falando ao telefone de Los Angeles, Williams reflete em canalizar suas lutas internas para a música, as pressões incapacitantes da fama (particularmente para uma artista feminina), e o por que de ela ser grata por estar viva.

Há uma linha de pessimismo no After Laughter que vocês abraçam e rejeitam ao mesmo tempo, conforme o álbum anda. Como um todo, onde você acha que isso pousa?

Eu tenho brincado ultimamente que eu sou uma realista em recuperação. Na época que nós escrevemos [nosso terceiro álbum] Brand New Eyes, eu parei de me deixar ser esperançosa e sonhadora demais, porque eu senti como se toda vez que eu era guiada pelo meu coração e não pela minha mente, eu terminava sendo ferida. É algo com o que eu venho lutando muito na minha vida. Eu parei de pensar em termos do que eu poderia sonhar e comecei a pensar sobre o que era realmente possível. Eu não acho que isso seja ruim, mas eu também quero sonhar um pouco. Eu passei por coisas nos últimos anos onde, se eu não tivesse meus sonhos, se eu não tivesse um jeito de procurar a luz no fim do túnel, seria simplesmente inútil tentar sobreviver aos meus dias. É difícil responder onde eu acho que isso realmente pousa, mas eu acho que o álbum todo meio que me acompanha, tipo, “bem, hoje eu estou sofrendo porque eu só quero sonhar e eu quero muito ter expectativa sobre alguma coisa”, e então no dia seguinte eu acordo e é tipo, “urgh. Eu não vejo o pino de luz no final do túnel. Ele se foi, e eu tenho que me concentrar no que está na minha frente”. Talvez isso seja algo para as outras pessoas decidirem, e colocar no contexto de suas próprias vidas.

Quando você percebeu que a música estava se movendo nessa direção, você se preocupou que não seria apropriado para acompanhar com letras tão sombrias?

Sim, eu estava muito preocupada. Eu falei para o Taylor por cerca de seis meses, “você tem que me trazer uma melodia triste, por favor”. Taylor poderia escrever a coisa mais feliz que você já ouviu enquanto ele passa por algo muito pesado na própria vida. Eu quero lidar com as coisas dessa maneira de vez em quando, onde eu posso apenas flutuar acima [dos meus sentimentos], mas também reconhecer que eles estão lá. Eu estava tão dentro da minha própria cabeça, foi difícil. Graças a Deus, o Taylor escreveu aquelas músicas, porque eu ficaria tão assustada se eu tivesse que passar por tudo aquilo de novo toda a vez que eu cantasse. Eu quero ser capaz de espantar algumas dessas coisas dançando. Eu continuo falando, “chore muito, dance muito mais”. E é como eu me sinto, estando no palco e tocando aquelas músicas, eu fico tipo “cara, a vida é realmente difícil às vezes, mas eu vou tentar e pegar isso no meu ritmo e pisotear por tudo isso, e dançar e passar por esse dia da melhor maneira que eu puder”. Então eu estou realmente grata pela relação entre a melodia e as letras, é realmente curador. Há uma coisa tão boa para mim em sentir inteiramente cada emoção, quase de uma vez, e realmente saber que você está viva.

Você mencionou mais cedo que você está muito dentro da sua própria cabeça. Em “Idle Worship”, você lida com as pressões de servir como modelo – o que é uma frustração tão compreensível – mas quanto daquela pressão você sente que era interna, e quanto era externa?

Eu me encontrei em um estado de espírito realmente estranho nos últimos anos, onde eu estava passando por essas coisas na minha vida pessoal, mas nós tínhamos acabado de sair desse álbum de sucesso. As pessoas viriam até mim na minha cidade natal e teriam fotos minhas em um tipo de pose de super-heroína em suas camisetas, e eles falariam “oh, você é perfeita, eu me inspiro em você há tanto tempo”. Eu nunca descartei nada do que eles falaram porque é a verdade para eles e eu aprecio isso, mas o que eu não conseguia relevar era o quanto aquilo contrastava com a maneira que eu me enxergava. Eu apenas me senti tipo, “wow, essa pessoa que eu estou encarando não faz ideia que eu provavelmente estou me saindo pior do que elas. E elas estão pedindo por conselhos, e estão falando que eu sou perfeita”. Isso me deixou muito braba comigo mesma por não estar naquele nível, e eu nunca poderia estar. E isso me fez pensar, “eu me pintei como alguém que pode lidar com isso? Será que eu fiz isso comigo mesma?”. Eu fui para casa não muito tempo depois daquilo, escrevi em cima de uma música que o Taylor tinha me entregado há semanas e semanas, e finalmente consegui colocar tudo para fora.

Às vezes eu me pergunto se artistas mulheres são colocadas em um padrão mais alto quando se trata de ser um modelo.

Eu concordo totalmente com isso. Existem tantas partes mais sutis nessa conversa que eu experimento diariamente, e às vezes eu não consigo nem identificar isso, apenas sei que está acontecendo. Nós estávamos saindo do aeroporto ontem, e ultimamente nós temos recebido paparazzis nos aeroportos. Nosso gerente de turnê perguntou “você quer ir direto para a van?” e eu fiquei tipo “quer saber, eu quero – porque eu não me sinto confortável tendo uma câmera enorme na minha cara, eu fico com muita ansiedade e começo a tremer – mas eu não quero ir a menos que Taylor e Zac venham comigo. Se eu for e ninguém mais for comigo, então eu serei a babaca, eu serei aquela que deixa os colegas de banda para trás”. São essas escolhas sutis que eu tenho que fazer, que são em antecipação ao fato de eu ser um alvo apenas por ser uma mulher em uma banda. Eu tento não me pintar em uma luz de vítima, porque eu me sinto forte. Eu fui colocada nessa vida e eu sei que posso lidar com isso, mas eu definitivamente sinto. Eu definitivamente sei o que é ser colocada em um padrão que é simplesmente impossível e inalcançável.

Você falou sobre como você sente que está vivendo as músicas do After Laughter em tempo real. É um desafio falar e cantar sobre sentimentos nos quais você ainda está no meio?

Se eu pudesse ter planejado isso, eu teria dito “deixe-me colocar minha vida em ordem, descobrir as respostas para todos esses problemas e então nós lançaremos um álbum, e eu serei capaz de falar nessa plataforma sobre como tudo vai ficar bem”. Mas eu não quero ser a porta-voz de “tudo vai ficar bem”. Eu só quero falar “tudo vai ser tudo”. Eu não sei o que isso significa para alguém que não é quem eu sou, mas tudo que eu posso fazer é acordar, cantar uma música que eu amo mais do que tudo no mundo, e então ir para casa e deitar minha cabeça e ficar realmente orgulhosa de mim mesma por fazer isso. Eu sou tão grata por viver essa vida com meus melhores amigos. Essas são as pessoas com quem eu fui para a escola junto, e nós começamos uma banda e de alguma maneira nós estaremos tocando em um programa de TV ao vivo hoje à noite, apresentando essas músicas que escrevemos juntos. Isso tudo apenas me deixa muito grata e orgulhosa por simplesmente estar viva e sentindo.

 

Fonte: Notícia originalmente publicada por Vice e traduzida por Claudia Dalmuth

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Por Claudia Dalmuth
NPR: “Em tempos díficeis, Paramore liga para os anos 80”

Paramore para o The New York Times, maio de 2017.

O Paramore já foi descrito como Emo, pop-punk, grunge e rock, mas apesar do genro, o adjetivo “chiclete” sempre se aplicou à sua música. O mesmo pode ser dito do último lançamento da banda do Tennessee, o After Laughter. Inspirado pesadamente em sons dos anos 80, o álbum é cheio de sintonia e pep.

“Quando começamos a escrever, era verão, e… Eu só queria ficar de boa.” O guitarrista principal Taylor York disse “Eu estava escutando bastante Afrobeat e estávamos escutando bastante new wave, tipo The Cure e Talking Heads… Nos anos 80, principalmente no início, tinha tanto poliritmo e tantas batidas legais, e o jeito que as melodias dançavam umas com as outras era realmente inspirador.”

Mas por mais que o After LAaughter tenha músicas que soam alto astral, as letras são pesadas. O Paramore enfrentou uma boa porção de dificuldades – um processo, rompimentos públicos, membros da banda indo e voltando – desde que se formaram em 2004. A líder Hayley Williams falou abertamente sobre seus desafios com depressão, enquanto o baterista Zac Farro e seu irmão Josh deixaram o Paramore em 2010 (Zac voltou à banda recentemente).

Lakshmi Singh: Fale sobre a escrita e produção de Hard Times. A música soa muito feliz, mas se você escutar a letra você percebe que é uma musica emocionalmente difícil.
Hayley Williams: É, o álbum tem bastante disso… Eu acho que não poderíamos fazer um álbum, pelo menos liricamente, que combinasse com o tom da música. Mas eu também acho que poder falar desses sentimentos e emoções adicionou ainda mais profundidade. Digo, obviamente tem muita coisa rolando na música e foi interessante colocar algumas palavras nela, mas agora, você escuta de novo e fica tipo “Caramba,obrigada.”, porque eu não quero cantar essas palavras com músicas de ritmo triste. Acho que todos nós ficaríamos miseráveis.

LS: Zac, você e seu irmão, Josh, deixaram a banda em 2010. Essa separação foi altamente pública. Por que você saiu e por que agora foi o momento certo para voltar?
Zac Farro: Bom, meu irmão e eu saímos em 2010 por razões parecidas, mas muitas razões também eram diferentes. O principal motivo pra mim foi de que começamos a banda quando éramos muito novos, eu tinha 13 anos quando realmente começamos a tocar, depois 14 quando começamos a fazer turnês. Parecia que não tinha luz no fim do túnel pra mim enquanto eu mesmo, como pessoa, e eu senti que eu só ia deixar a banda pra baixo com minha atitude e o jeito que eu estava lidando com isso tudo. Por isso achei que o melhor era me retirar.
Muito tempo passou, e eu consegui viver muito da vida que eu precisava viver. Me mudei para a Nova Zelândia por alguns anos e tive alguns momentos que mudaram minha vida. Depois, sabe, tudo meio que colidiu de novo quando o Taylor e eu começamos a nos tornar – digo, a gente sempre foi melhor amigo, mas tivemos esses períodos na vida onde a gente para de se falar um pouco. Tem sido essa coisa estranha e consistente, então eu mal posso esperar pelos próximos anos que a gente não vai se falar. (risos)

LS: Hey, então aparentemente tem uma benção há poucas distâncias.
ZF: Sim, total. Muitas bençãos em todos os lugares se você olhar ao redor.

LS: Ao longo dos anos, menções de sua fé tem aparecido. Vocês dizem que não são uma banda cristã mas que tem fé, como acham que sua fé tem ajudado a manter vocês todos juntos?
Taylor York: Eu acho que quando nós éramos mais novos nós costumávamos ter uma voz mais unificada em termos de, aparentemente, como a gente ia falar sobre fé. E eu não sei se temos isso agora, mas acho que temos mais confidência e união dentro da nossa banda e um jeito mais privado de discutir, e só meio que reconhecer isso. Pra nós eu acho que nossa fé é parte de nosso propósito e o motor que nos mantém andando, e as vezes é subconscientemente, as vezes é conscientemente… A gente sempre vai ficar tentando se resolver com isso, resolver como vamos falar sobre, resolver o que nós realmente acreditamos.

LS: Depressão é tão proeminente nas letras e nesse álbum, mas fé também parece ser central. O que isso significa pra você, pessoalmente?
HW: Sabe, acho que o que temos que lembrar é que somos apenas seres humanos e com isso vem muito…lixo. Todos nós temos nossas montanhas e vales. Algumas vezes você acorda e está no fundo do poço mais baixo,  outros dias você trabalha pra caramba pra chegar no topo da montanha e conseguir olhar ao redor e ver tudo que sobreviveu. Mas acho que a coisa mais importante pra mim é lembrar que não cheguei à esse topo sozinha… Estamos em um ponto agora entre nós três como amigos onde é OK ter suas experiências individuais com Deus e com música, interações, o que quer que seja. Vivemos nossa fé um no outro no nosso próprio jeito.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Por Mayara Souza
Hayley Williams escreve nota incrível de agradecimento por lançamento de After Laughter

O After Laughter foi lançado em menos de um mês e já foi muito avaliado por críticos musicais e revistas; para adicionar às vozes que opinam sobre o quinto álbum do Paramore, Hayley escreveu uma nota de agradecimento emocionante em seu Instagram sobre o lançamento do After Laughter e expôs seus pensamentos sobre esta etapa pós-release. Confira o que a vocalista disse na legenda e a tradução do texto que ela postou:

Hayley Williams no festival Weenie Roast, maio de 2017, por Adam Elmakias.

“Estive esperando pela hora certa pra postar meus pensamentos sobre o After Laughter. Me levou todo esse tempo pra me desvencilhar de verdade das musicas que fizemos 💙💛❤️ vejo todos vocês logo:

xxxxxx

After laughter foi lançado há um minuto. Por favor me acompanhem por um segundo?
Um ano atrás nos sentamos com a gravadora e dissemos que queríamos um lançamento que fosse diferente de qualquer coisa que tivéssemos feito antes. Menos focado em vender, vender, vender… e mais sobre amizade e arte e nosso próprio aproveitamento do processo. Nós temos que nos manter inspirados e se importar com nós mesmos como uma unidade, como individuais e como parte de uma larga comunidade criativa que somos agradecidos por participar. Dar liberdade à essas musicas foi mais difícil pra mim e pro Taylor agora do que a última vez, e também foi mais surreal porque Zac foi novamente parte da comemoração e isso ainda é algo o qual me faz me beliscar. Agora que o After Laughter pertence à mais pessoas do que apenas nós, eu sinto que preciso expressar o quão incrível é ter as pessoas o aceitarem pelo que esse álbum realmente é.

(Taylor não leia esta parte). Eu nunca estive mais orgulhosa do meu amigo T. Ele completamente dominou o processo criativo e nos trouxe a novos níveis de criatividade e desafios artísticos. A este ponto, eu li algumas críticas e ver um dos meus melhores amigos e parceiro escritor de música ser comparado à tipos como Lindsey Buckingham é minha glória pura. Ele merece toda quantia de elogio e reconhecimento que ele está conseguindo por ser um cientista musical.

Este álbum também é o primeiro o qual o Zac contribuiu com a escrita. Ele trouxe “Grudges” pro Taylor e os dois fizeram algo lindo que se tornou uma cama para todos os meus sentimentos de ter o Z de volta à minha vida. Ele escreveu pra outras musicas também (tipo rose colored boy, pra nomear outra) e ajudou tanto a transformar o processo de gravação em algo que não mais era sobre estar de luto pelo passado, mas sim honra-lo e ser capaz de olhar pra frente de novo.

Obrigada aos jornalistas que revisaram e escreveram sobre esse novo capítulo da carreira da nossa banda (e das nossas vidas). Vocês todos foram incrivelmente graciosos até agora, especialmente em seu entendimento neste tipo de assunto que eu ainda estou aprendendo a me abrir mais sobre, e ainda mais em se atrever a escrever bem mais do que apenas a infeliz narrativa que tipicamente cerca nossa banda. É incrível ver o jeito que vocês todos descreveram nossas novas musicas e sons. Lindas metáforas e analogias cuidadosas. Obrigada por tratar nossas músicas como nós tratamos – com muito cuidado e consideração. Somos gratos.

O fato de que o Paramore ainda importa me deixa de queixo caído. Eu costumava fazer uma grande coisa do fato de que “Paramore é uma banda”, mas puta merda é muito mais que isso. A musica, o sistema de apoio ao redor disso, as amizades a fraternidade e os lugares para vomitar as verdades pesadas… são todas coisas que, pessoalmente, me mantiveram seguindo em frente nos ultimos anos desde que começamos a escrever o novo álbum. Para todos que estão ouvindo o After Laughter, obrigada por tirar esse tempo e se importar. Eu espero que as musicas te levem a lugares que te rasge e te junte novamente. Porque é esse o poder que a musica pode ter. Oficialmente não é mais apenas sobre nós. O álbum/a musica/as palavras são todas de vocês agora também, e estou animada que eu posso finalmente dizer isso com paz no meu coração antes de nós saírmos para a primeira turne do AL. Obrigada por esperar.”

 

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Por Mayara Souza
Paramore é matéria destaque no The New York Times

Paramore fotografado para o New York Times em 29 de março, 2017 em Nashville, Tennessee. (Eric Ryan Anderson/Contour by Getty Images)

Nashville – Hayley Williams precisava de uma pausa do seu “cabelo de Paramore.”

Há mais de uma década, enquanto ela se estabelecia como uma das cantoras de rock mais dinâmicas de sua geração, Srta. Williams era reconhecida por suas franjas dramaticamente cortadas e pintadas de cores violentas, tipicamente os tons mais barulhentos de vermelho, laranja e rosa. “Eu tinha um corte de cabelo que podia assassinar você” ela falou sobre o look que a ajudou a ser um ícone na Warped Tour set.
Ainda que sua banda, Paramore, trabalhasse para transcender os dogmas de seu genro restrito  ao longo de quatro álbuns ambiciosos, levando o momento pop punk do myspace pro Grammy e pras paradas da Billboard amplamente por causa da força da voz da Srta. Williams, a cantora, agora com 28 anos, começou a se sentir presa em um certo tipo de visual.
Ano passado, encarando uma depressão profunda em meio à mudanças pessoais em uma banda complicada por elas – e se questionando sob uma quantidade enorme de problemas e de sua vida adulta – Srta. Williams “optou por uma ficha limpa”, ela disse, com seu cabelo atualmente platinado escondido sob uma touca.
“Você pode querer se agarrar às maneiras de ser adolescente por quanto tempo quiser, mas uma hora a vida te acerta muito forte” Srta. Williams, uma presença poderosa que mal atinge 1,60m, explicou mês passado, falando pela primeira vez sobre o período tumultuoso desde que o Paramore lançou um álbum, em 2013. “Eu nem sabia se a gente ia fazer outro álbum” ela disse “Teve uma hora que eu nem queria que isso acontecesse, mas depois eu quis que acontecesse mas não sabia como a gente ia fazer isso.”
Paramore, de alguma forma, conseguiu novamente. Em 12 de maio, a banda vai lançar o “After Laughter”, seu quinto álbum, introduzindo uma nova formação – cada álbum do Paramore tem uma combinação diferente de membros ao redor de Williams – e, mais notavelmente, um novo som. Ao invés das cordas poderosas e riffs hiperativos de sua adolescência, Paramore mergulhou em texturas mais limpas e rítmicas dos anos 70 e 80, devendo à sua recente obsessão com Talking Heads, Tom Tom Club, Cyndi Lauper e Blondie

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Por Mayara Souza
Paramore foi a capa da DYI de Maio

DIY’s new issue – free from our beloved stockists – is out today (28th April), also featuring Pumarosa, Perfume Genius, PWR BTTM and some things that don’t begin with P.

Paramore are back, and we’re delighted to have them grace the cover of DIY just ahead the release of their newest album ‘After Laughter’. As Hayley, Taylor and Zac prepare to unleash their fifth album, we head to Nashville to find out how the reunited trio overcame yet more hurdles to bring the album to life.

“It’s weird,” ponders Hayley, on how it feels to be five albums deep and over ten years into their career. “I still feel like we’re really green, especially with this record. It felt like there were so many new things to try and so many new feelings about life – you’re finally all the way over the hump of being able to deny that you’re an adult now. Yeah, this was a crazy record to make.”

The full cover feature with Paramore is in the new, May issue of DIY, out at midday today (28th April). It’s part of an absolutely jam-packed issue, too. We catch up with PWR BTTM out in Austin, Texas to talk all things new album ‘Pageant’ and Liv’s ambitions to become “a yoga mom”, while Perfume Genius spills all on new album ‘No Shape’ and his love of Rihanna. Pumarosa, meanwhile, are gearing up to release their debut album ‘The Witch’, a sprawling first effort that reflects the beauty and toughness of life in London.

We also get in the van with Superfood, King Nun and Pale Waves to spend three days on the buzziest tour of the year, discovering just what makes Dirty Hit the most exciting label in the process.

Elsewhere in this issue, we catch up with those crazy cats in Gorillaz, who tell us all about their new album ‘Humanz’, before joining the brilliant Black Honey for three of their most bonkers live shows yet.

In Neu, we take Pale Waves aside from the tour madness to understand how one (bloody brilliant) single has seen the band turn heads everywhere they go. Joining them in the buzziest Neu section in ages are superstar-in-waiting Sigrid and fascinating Tel Aviv star Noga Erez.

The Streets’ 2004 classic ‘A Grand Don’t Come For Free’ gets our Hall of Fame treatment, while MUNA take our Lucky Dip challenge and JAWS pick their favourite tour lunch stop in our Service Station of the Month.

With even more inside, our absolutely jam-packed issue May issue is out from midday today (Friday 28th April), available free via stockists across the UK, and readable online. If you’d rather have a copy posted to you in person, you can do so (or subscribe!) below. PLUS, we’re giving away a very special double-sided A3 poster of Paramore to anyone who signs up for an annual subscription, ooh-er. Check it out below.

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Por Mayara Souza
AFTER L A U G H T E R | Quinto álbum revisado e montado

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Por kleversonmkt_b955n5la